sábado, 6 de junho de 2009


Nanotendência 9: O fim da mezo escala nas instituições de ensino superior


Vivemos um cenário de crise financeira mundial que favorece que fenômenos de escala sejam preponderantes na sobrevivência, sucesso ou desaparecimento de empresas em todos os ramos de atividades. Educação não diferente e as escolas privadas não estão imunes à crise, seja no que ela representa de crise ou de oportunidades.


Há uma tendência macro clara à incorporação das instituições menores pelas maiores, gerando a formação de empresas holding, as quais muitas vezes se estabelecem como capital aberto em bolsas de valores, espaços compartilhados de controle e de definição de valores.


Talvez seja ainda prematuro para emitir juízos definitivos de valor e tendências de ganho ou perda de qualidade. No entanto, é perceptível que tais movimentos caminham em direção à incorporação de metodologias educacionais padronizados, currículos unificados, ensino mais estruturados e cada vez menos espaço para metodologias inovadoras, dependente de conjunto específico de professores ou de especificidades regionais ou de propósitos peculiares a um certo contexto ou clientela. Tende-se nas instituições componentes de um grande grupo a um processo de pasteurização metodológica, fruto do aproveitamento do fenômeno escala e otimização de custos.


É inegável que ao padronizar metodologias, via ensino estruturado, é possível que a nova dinâmica de grande empresa possa eventualmente acarretar melhoria de qualidade para instituições previamente muito deficientes e sem rumo. Igualmente, ao contrário, há exemplos de prejuízos de qualidade irreversíveis resultantes de gestão centralizada que menospreza e atropela diferenças associadas a abordagens que levavam em conta contextos regionais, especificidades históricas próprias e relacionamentos pessoais estabelecidos na instituição incorporada ao grupo maior.


Neste cenário macro, creio que sobreviverão , além dos grandes grupos, pequenas instituições , desde que consigam explorar suas especificidades e peculiaridades, bem como agilidade e ousadia de incorporar novos modelos acadêmicos. Fazer uso de suas escalas nano, frente a uma conjuntura educacional em que todos estarão desafiados a se reestruturarem, pode ser uma agradável novidade em um cenário em que instituições de porte médio (mezoescala) tenderão a desaparecer.


Restarão em médio prazo, portanto, no setor educacional privado, em condições de enfrentar os períodos pós-crise, as grandes empresas, com seus atributos e fragilidades, e aquelas nano, quase familiares, fazendo uso intensivo de seus elementos diferenciais.
(figura de: camaradoscomuns.blogs.sapo.pt)



Nanotendência 10: Extrema judicialização versus abordagens educacionais




Está em curso uma febre jurídica que assola a educação superior no país. Baseados na fé da capacidade normativa abundam decretos, portarias, resoluções e órgãos. Em que pese a boa fé das iniciativas, nada mais são do que reflexos perversos da falta de perspectivas educacionais. A ausência do saber o que fazer educacionalmente é preenchida pela edição de normas, sem perceber que as normas não só não induzem qualidade como, ocasionalmente, a prejudicam sobremaneira.


Curiosamente, os instrumentos jurídicos criados, que têm seus estímulos principais no controle do setor privado, geram máquinas de desestímulo às necessárias inovações e ousadias acadêmicas, as quais, em geral, têm no terreno normativo extremado seus maiores inimigos.


As iniciativas educacionais nanos neste emaranhado normativo macro judicializado poderão representar um fôlego, como uma brisa de ar fresco em uma sala já quase sem ar. As mudanças acadêmicas do REUNI no setor público representam isso.


Em tese, o setor privado poderia estar igualmente experimentando novas experiências, em termos de modelos acadêmicos e adoção de metodologias inovadoras, com o mesmo vigor ou até mais disposição. Mas, definitivamente, não está.


As razões são múltiplas, mas o cerceamento normativo, fruto da extrema judicialização do ensino superior é uma das razões principais. Não se está fazendo uso, infelizmente, dos atributos resultantes de sua maior agilidade, de sua mais natural flexibilidade, especialmente em instituições de menor porte, e maior capacidade de impor comandos mais rapidamente.


As nanotendências acadêmicas experimentadas pelas pequenas instituições ousadas poderão no futuro próximo representar um desafio capaz de amedrontar o macro dragão dos empecilhos jurídicos normativos que ocupam os espaços educacionais.

domingo, 12 de abril de 2009



Tecnologias Educacionais Inovadoras Andragógicas (TEIA)


Ronaldo Mota





Para que este Blog?

Este Blog pretende constituir-se em mais um instrumento que estimule a discussão de abordagens, estratégias e métodos educacionais inovadores que possam representar importantes opções de processos ensino-aprendizagem.

É preciso que esses métodos sejam plenamente compatíveis com o mundo contemporâneo de educação permanente, preparando profissionais e cidadãos em sintonia com educação continuada ao longo da vida.

Sem a pretensão de opiniões previamente estabelecidas ou enfoques definitivos, alguns balizamentos são características básicas das propostas aqui apresentadas. Uma delas diz respeito às concepções andragógicas, associadas à necessidade de repensar nossas metodologias educacionais à luz do fato que boa parte de nossos estudantes da educação superior brasileira está alterando rapidamente seu perfil de faixa etária, origem sócio-econômica e suas expectativas.

Destacando, no entanto, que boa parte do que aqui é tratado tem valores universais, sendo adequado (ou pretendendo ser) para qualquer faixa de idade ou de nível educacional, sem exclusão a priori.

O que é, afinal, andragogia?

Andragogia por tratar-se de conceito educacional diferenciado, especialmente voltado à educação de adultos, permite oportunizar experiências educacionais inovadoras. Nessas abordagens, os estudantes quais têm um papel mais ativo em seus processos de aprendizagem, em coerência com as perspectivas de formação continuada e ao longo da vida, superando o período de educação escolar tradicional.

O centro do processo ensino-aprendizagem tradicional está na atuação do professor e calcado na concepção de transferência simples de conhecimento. Abordagens educacionais baseadas em inovadoras metodologias buscam centrar na aprendizagem do estudante e nas relações que ele estabelecia com o seu entorno, tanto as pessoas, as múltiplas relações estabelecidas, bem como suas experiências com a natureza que o cerca.

O que é, afinal, Método Keller?

Uma dos métodos desenvolvidos nesta concepção é o denominado Método Keller ou Processo de Instrução Personalizada, o qual faz uso de uma estratégia no processo ensino-aprendizagem que é diferente substancialmente das metodologias tradicionais, as quais são baseadas tipicamente em aulas expositivas como meio primário segundo o qual os estudantes tomam contato com a matéria.

Uma limitação percebida na aplicação do Método Keller ao final do século passado foi exatamente quanto à disponibilização adequada do material prévio ao estudante. Uma nova base tecnológica, propiciada pelos avanços recentes nas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), permite um novo momento e novas ferramentas. Assim, uma releitura positiva do tradicional Método Keller, à luz da incorporação efetiva das tecnologias inovadoras, é possível e imprescindível ser realizada.

Assim, neste Blog é apresentado um conjunto de abordagens, estratégias e métodos que podem representar importantes opções plenamente compatíveis com o mundo contemporâneo de educação permanente, preparando cidadãos em sintonia com educação continuada ao longo da vida.
Keller + TICs: Uma Abordagem Andragógica

Foi com Malcolm Knowles que se configurou, na década de 1970, a noção de andragogia como a arte e a ciência de orientar adultos em seu processo de aprendizagem fazendo intenso uso de suas experiências de vida. Um aspecto importante da andragogia, mais relevante do que a separação em faixas etárias, é a concepção de que aprendemos sempre ao longo da vida e a ênfase no aprender fazendo.

Nesse sentido, a andragogia, enquanto estímulo ao aprender a aprender, não exclui nem jovens ou crianças, desde que os conteúdos e abordagens lhes sejam apropriados.

Cursos (ou disciplinas) baseados no Método Keller [1] fazem uso de uma estratégia no processo ensino-aprendizagem que é muito diferente das metodologias tradicionais, as quais são baseadas tipicamente em aulas expositivas como meio primário segundo o qual os estudantes tomam contato com a matéria.

Nas abordagens usuais, professores falam e estudantes ouvem e tomam nota e, sendo bons alunos (quando são!), estudam depois. Livros textos e outras ferramentas de apoio ao aprendizado são utilizados (quando são!) como complementares às aulas, mas sempre depois, nunca (ou muito raramente) antes.

Os processos avaliativos tradicionais ocorrem, em geral, muitos dias, semanas, às vezes meses, após os alunos terem tomado nota das aulas expositivas. Não raro, esse exame constitui-se na oportunidade única, ou quase, para o aluno demonstrar nível de aprendizagem. Esse modelo reforça muitas deficiências e, infelizmente, não atende mais exigências formativas do mundo contemporâneo.

O Método Keller vai muito além do modelo aula-anota-estuda-testa. Na nova estratégia, onde se estimula o aprender a aprender, a aprendizagem inclui respeito ao ritmo dos estudantes, os quais são testados sobre as informações básicas referente às aulas antes delas, quantas vezes for necessário. Quem realiza essa etapa (habilitar à próxima etapa) é o orientador acadêmico, o qual determina o momento adequado para o estudante aproveitar ao máximo a aula do professor responsável pela disciplina.

A aula expositiva muda de característica, devendo o professor saber que fala para iniciados, priorizando reforço de conceitos já preliminarmente assimilados, promovendo atividades laboratoriais/experimentais, desafiando os estudantes para um debate mais profundo e participativo. Enfim, uma nova dinâmica de aula que exige muito mais docente, alterando seu papel, enaltecendo muito mais a figura do mestre.

Uma limitação percebida na aplicação do Método Keller ao final do século passado foi exatamente quanto à disponibilização adequada do material prévio ao estudante. Uma nova base tecnológica, propiciada pelos avanços recentes nas TICs, permite um novo momento e novas ferramentas. Assim, uma releitura positiva do tradicional Método Keller, à luz da incorporação efetiva das TICs, é possível e imprescindível ser realizada.

O Método “Keller + TICs” representa, portanto, uma importante opção plenamente compatível com o mundo contemporâneo de educação permanente, preparando cidadãos em sintonia com educação continuada ao longo da vida. Apropriado a todas as idades, compatível com uma realidade onde metade dos estudantes universitários tem mais de 25 anos, incorporando abordagens andragógicas (que visam adultos maduros), em contraposição aos métodos pedagógicos (na maioria, supondo crianças menos interessadas) [2].

Ref.:
[1] Fred S. Keller. Goodbye, teacher ... J. of Applied Behavioral Analysis, 1(1):79-89, Spring 1968; J. Gilmour Sherman and Robert S. Ruskin. The Personalized System of Instruction. Educational Technology Publications, Englewood Cliffs, NJ, 1978. Vol. 13 in The Instructional Design Library, series ed. Danny G. Langdon; J. Gilmour Sherman, Robert S. Ruskin, and George B. Semb, editors. The Personalized System of Instruction: 48 seminal papers. TRI Publications, Lawrence, Kansas, 1982.
[2] Ronaldo Mota. A Universidade Aberta do Brasil in Educação a Distância, O Estado da Arte, Org. F. M. Litto e M. Formiga, Cap. 40: 290-296, Pearson Prentice Hall, São Paulo, 008.

Detalhando mais sobre Andragogia

A vantagem de se tratar um neologismo é que o conceito associado à palavra pode ser construído contemporaneamente, levando-se em conta contextualização à dinâmica do mundo atual. Andragogia constitui um paradigma novo na medida em que a base para sua conceituação ainda recebe novas compreensões, em que pese sua história não tão recente assim.

A pedagogia (do grego paidós – criança – e agogus – guiar, conduzir, educar), o termo vem das práticas no século VII na Europa referindo-se essencialmente ao educando, criança ou jovem, estando fortemente associado ao que era ministrado no ensino religioso em catedrais e escolas monásticas. O arcabouço de então serviu de base para a organização educacional formal contemporânea.

Muito embora o termo andragogia (derivado de andros, de homem, genericamente, adulto) tenha sido utilizado pela primeira vez por Alexander Kapp, somente em 1921 que o Professor Rosenstock utilizou o termo no significado mais estrito de educação para adultos. Em seguida, em 1926, Linderman tratou mais especificamente do currículo considerando-o como decorrente das necessidades do aprendiz, sendo sua experiência a fonte de maior valor na educação [1].

Por um lado, andragogia tem sido apresentada a partir de diferentes noções e diversas abordagens há mais de dois séculos. O termo “andragogia” foi formulado originalmente por Alexander Kapp, professor alemão, em 1833 [2]. Em sua formulação inicial, ele faz uma descrição tendo como origem e pressupostos de seus pensamentos os elementos da teoria educacional presentes em Platão e suas experiências próprias na Academia.

Na história mais recente do século XX, particularmente na Grã-Bretanha e na América do Norte, a andragogia tem sido associada mais claramente ao conceito de educação de adultos através dos trabalhos de Malcolm Knowles [3]. Antecedendo Knowles, em 1921, Rosenstock escreveu um artigo no qual defendia a tese de que a educação dirigida a adultos demandaria professores especiais, métodos e filosofias próprios, tendo ele utilizado o termo andragogia para se referir a todos esses requisitos no seu conjunto [4].

Nesse aspecto, deve ficar bem evidente que a andragogia não se aplicaria apenas à educação de jovens e adultos definida na LDB, mas a todos os processos educacionais que envolvam adultos, sejam eles alfabetizados ou não.

No entanto, em que pesem os inegáveis méritos nas teorias dos precursores e de seus contemporâneos, o campo da educação de adultos está de forma especial intrinsecamente ligado aos trabalhos de Malcon Knowles. O que caracteriza a abordagem de Knowles para andragogia é que ele construiu sua teoria a partir de um modelo para aprendizagem de adultos, modelo este ancorado nas características especiais evidenciadas por aprendizes adultos e com certo grau de maturidade [4].

Outra característica da abordagem de Knowles é que ele fez uso intensivo do modelo de relações derivadas de psicologias clínicas humanísticas e, em particular, da facilitação da aprendizagem decorrente de características comportamentais próprias do aprendiz mais maduro, seja no que concerne a identificar suas necessidades ou no conjunto de objetivos específicos.

Para Knowles, em resumo, andragogia está associada à pelo menos cinco pressupostos básicos, que definem suas características e a diferenciam da pedagogia. São eles:
1. Auto-conceito: Uma pessoa madura e auto-direcionada apresenta, em geral, capacidade de estabelecer auto-conceitos privilegiada em comparação a um indivíduo com uma personalidade menos madura e menos auto-direcionada. Aqui é preciso destacar que tal afirmativa não implica subtrair a possibilidade de crianças demonstrarem elementos de auto-direcionamento. Pelo contrário, como ressaltado por alguns autores [5], em certos contextos, a aprendizagem para crianças tem características de naturalidade e espontaneidade que se confundem, corretamente, com auto-direcionamento.
2. Experiência: Uma pessoa madura acumula um reservatório de experiências que, potencialmente, pode transformar-se em fonte especial de aprendizado crescente.
3. Preparação ao aprendizado: O aprendizado, no qual se orienta a partir de tarefas associadas aos papéis sociais efetivamente desenvolvidos pelos aprendizes, permite processos especiais que facilitam sobremaneira sua preparação.
4. Orientação ao aprendizado. Uma pessoa madura apresenta uma especial perspectiva em termos de aplicação potencial dos conhecimentos em comparação a uma outra cuja aplicação se caracteriza principalmente pela generalidade, permitindo à primeira um enfoque centrado em problemas, enquanto que, para a segunda, em geral, o centro é principalmente o tema em abstrato.
5. Motivação para aprender. A motivação principal para aprender em uma pessoa madura é especialmente interna, fruto de suas próprias reflexões e conclusões.

Ref.:
[1] Ronaldo Mota. A Universidade Aberta do Brasil in Educação a Distância, O Estado da Arte, Org. F. M. Litto e M. Formiga, Cap. 40: 290-296, Pearson Prentice Hall, São Paulo, 2008; Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida, A Universidade Aberta do Brasil in Educação a Distância, O Estado da Arte, Org. F. M. Litto e M. Formiga, Cap. 15: 105-111, Pearson Prentice Hall, São Paulo, 2008.
[2] (Nottingham Andragogy Group 1983: v). Towards a Developmental Theory of Andragogy, Nottingham: University of Nottingham Department of Adult Education. 48 pages; Davenport (1993; 114) 'Is there any way out of the andragogy mess?' em M. Thorpe, R. Edwards and A. Hanson (eds.) Culture and Processes of Adult Learning, London; Routledge. (Publicado pela primeira vez em 1987).
[3] Knowles, M. (1975). Self-Directed Learning. Chicago: Follet; Knowles, M. (1984). The Adult Learner: A Neglected Species (3rd Ed.). Houston, TX: Gulf Publishing; Knowles, M. (1984). Andragogy in Action. San James Fisher and Ronald Podeschi, "From Lindeman to Knowles: A Change in Vision," International Journal of Lifelong Education 8:4, pgs 345-53 (Oct-Dec 1989). Knowles, M. (1980) The Modern Practice of Adult Education. From pedagogy to andragogy (2nd edn). Englewood Cliffs: Prentice Hall/Cambridge. 400 pages; Knowles, M. et al (1984) Andragogy in Action. Applying modern principles of adult education, San Francisco: Jossey Bass. A collection of chapters examining different aspects of Knowles' formulation; Knowles, M. S. (1990) The Adult Learner. A neglected species (4e), Houston: Gulf Publishing. First appeared in 1973. 292 + viii pages. Surveys learning theory, andragogy and human resource development (HRD); Boud, D. et al (1985) Reflection. Turning experience into learning, London: Kogan Page.; Cross, K. P. (1981) Adults as Learners. Increasing participation and facilitating learning (1992 edn.), San Francisco: Jossey-Bass; Dewey, J. (1933) How We Think, New York: D. C. Heath; Hanson, A. (1996) 'The search for separate theories of adult learning: does anyone really need andragogy?' in Edwards, R., Hanson, A., and Raggatt, P. (eds.) Boundaries of Adult Learning. Adult Learners, Education and Training Vol. 1; Humphries, B. (1988) 'Adult learning in social work education: towards liberation or domestication'. Critical Social Policy No. 23 pp.4-21; Kidd, J. R. (1978) How Adults Learn (3rd. edn.), Englewood Cliffs, N.J.:Prentice Hall Regents; Kliebart, H. M. (1987) The Struggle for the American Curriculum 1893-1958, New York : Routledge; Joseph and Judith Davenport, "Knowles or Lindeman: Would the Real Father of American Andragogy Please Stand Up," Lifelong Learning. 9:3, pgs 4-5 (November 1985).
[4] Merriam, S. B. and Caffarella, R. S. (1991; 249) Learning in Adulthood. A comprehensive guide, San Francisco: Jossey-Bass.
[5] Tennant, M. (1988; 21) Psychology and Adult Learning, London: Routledge; Brookfield, S. D. (1986; 93) Understanding and Facilitating Adult Learning. A comprehensive analysis of principles and effective practice, Milton Keynes: Open University Press.

Distinções entre andragogia e pedagogia

É preciso ser muito cuidadoso ao pretender fazer distinções entre andragogia e pedagogia [1], especialmente porque essas separações não são definitivamente claras. Além disso, os exercícios de comparações esquemáticas são, em geral, simplistas e arriscados, quando não equivocados. Mesmo sendo pouco recomendáveis, alguns autores, como, por exemplo, Jarvis [2], a partir das concepções educacionais de Knowles, que assumia andragogia como “educação de iguais”, em contraposição à pedagogia como “educação dos de cima”, ousou apresentar um quadro esquemático de contrastes.

Importante destacar que o próprio Knowles alterou ao longo do tempo sua orientação teórica quanto às distinções entre pedagogia e andragogia, tornando a dicotomia criança/jovem-adulto menos marcante. Argumentava ele que a pedagogia trabalhava mais o modelo baseado no conteúdo, ao passo que a andragogia privilegiava o contexto e o processo enquanto elementos centrais do processo ensino-aprendizagem. No decorrer de suas próprias experiências, Knowles conferiu cada vez mais peso à quinta característica acima descrita, ou seja, à motivação interna dos adultos para a educação como elemento central do processo e à possibilidade de que esse processo se daria enquanto educação continuada e ao longo da vida.

Assim, pedagogia está bastante associada à arte e ciência de educar crianças e jovens. Em geral – ainda que não necessariamente verdadeiro sempre –, no modelo pedagógico, a centralidade dos professores, enquanto dirigentes dos processos e metodologias, é quase absoluta. Contrariamente ao foco centrado no professor, que acabou por dominar boa parte dos processos formais de educação, na origem dos processos educacionais, remontando aos grandes mestres dos períodos antigos, de Confúcio a Platão, não se pretendia estabelecer esse padrão de comportamento.

Parte do “caminhar” na direção de centralizar o foco no professor, em detrimento dos estudantes, é debitada também ao ensino controlado pela Igreja, inclusive os calvinistas, os quais relacionavam o nível da sabedoria com maldade, demandando por parte dos orientadores mestres um controle bastante rigoroso.

Conseqüentemente, o controle dos adultos e dos mestres sobre o objeto da aprendizagem (conhecimento) permitiria garantir aos educandos, crianças e jovens em geral, o adequado nível de inocência. Assim, as escolas do século XVII, maioria delas formadores do corpo próprio da Igreja, privilegiavam um currículo centrado no professor, baseado em instrução autoritária, muitas vezes em oposição às raras tentativas de privilegiar experiências guiadas, centradas nos educandos.

De forma mais enfática, na pedagogia para adultos, os programas de formação demandam especial atenção para explicações de por que alguns conteúdos, bem como os procedimentos, estão sendo ensinados ou adotados. Não que tais demandas também não devam ou não possam fazer parte de ensino para crianças. Podem e devem, mas a questão aqui é de ênfase especial comparativa.Os procedimentos educacionais, sempre que possível, devem ser mais auto-orientados e menos baseados em processos de memorização.

Assim, as instruções, quando imprescindíveis, devem levar em conta as diversas experiências anteriores dos educandos no que se refere às variabilidades e profundidades diferentes. Considerando que os adultos, mais do que as crianças, em geral, apresentam características de auto-orientação, as metodologias adotadas devem permitir que os aprendizes descubram por si, sempre que possível.

Adultos demandam, de forma especial, estar claramente envolvidos nos processos de planificação, planejamento e avaliação das metodologias adotadas. As experiências, incluindo as discrepâncias associadas, devem fornecer as bases principais para as atividades de aprendizagem. Mais do que crianças, em geral, os adultos demonstram maior facilidade de aprendizagem em assuntos que têm, ou apresentam, conexões mais evidentes com os interesses imediatos de suas vidas pessoais ou de seu mundo do trabalho. O aprendizado de adultos demonstra ser mais efetivo quando centrado em problemas específicos e em conexão com o tema a ser abordado do que quando orientado pelo conteúdo mais geral associado ao tema em questão.

Ref.:

[1] Venport (1993), Jarvis (1977a) e Tennant (1996). Mark Tennant (1996), "An Evaluation of Knowles's Theory of Adult Learning," International Journal of Lifelong Education. 5:2, pgs 113-122. Jarvis, P. (1987a) 'Malcolm Knowles' em P. Jarvis (ed.) Twentieth Century Thinkers in Adult Education, London: Croom Helm.
[2] Jarvis, P. (1985) The Sociology of Adult and Continuing Education, Beckenham: Croom Helm.
(para maiores detalhes sobre este tema, leia os demais artigos ao final do blog)

segunda-feira, 30 de março de 2009










Príncipe Charles, Educação em UK e Casa Valduga


O Reino Unido (conhecido como UK, do inglês United Kingdon), que engloba Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, fica em uma ilha na costa noroeste da Europa continental. UK é formado basicamente da união de quatro nações: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.

O sistema é parlamentar com sede de Governo em Londres, sendo uma monarquia constitucional, tendo a Rainha Elizabeth II como a chefe de estado. O Príncipe Charles, seu filho, é o herdeiro natural do trono, tendo estado no centro do mais famoso romance de amor contemporâneo, envolvendo Lady Diana e Camila. O amor, no caso, sem dúvida, entre Charles e Camila.

Pode parecer incrível, mas UK tem ainda quatorze territórios ultramarinhos, remanescentes do grande Império Britânico, o qual no seu apogeu chegou a deter mais de um quarto da superfície terrestre.

Os resultados desse que foi um dos maiores império de todos os tempos ainda se faz sentir nos dias atuais pelas fortes influências contemporâneas no idioma, na cultura, nos hábitos e nos costumes. Embora essa influência seja global, ela é mais fortemente presente na suas ex-colônias como Estados Unidos, Austrália, Índia e Canadá, entre tantos outros.

UK, ainda que tenha sido a principal potência mundial durante o século XIX, ainda hoje é a sexta economia do mundo e detém o quinto maior PIB do planeta. A sua força remanescente tem muito a ver com sua sólida educação em todos os níveis.

Educação é obrigatória dos 5 aos 16 anos de idade, através de escolas financiadas pelo governo ou particulares, sendo que estas últimas se caracterizam pelo boarding school (os alunos residem e estudam na escola), enquanto as primeiras são basicamente day school (alunos estudam durante o dia e retornam diariamente para casa, como usual no Brasil).

O período anterior à idade escolar regular, dos 3 aos 5 anos, não faz parte da educação obrigatória e há uma variedade de figuras que cumprem este papel específico. Há os serviços denominados childcare, os quais são regulados pelos órgãos do Governo, podendo ser realizados por profissionais independentes como babás. Nanny é a categoria de babá que cuida da criança na casa desta, como auxiliar na presença dos pais ou enquanto estes estão fora de casa. Au pair é a categoria de babá que, diferentemente da Nanny, reside com a família da criança. Childminder, por sua vez, é a categoria de babá que atende as crianças em sua própria casa, podendo atender um número de crianças dependendo de seu treinamento e das condições da casa. As childminders podem atender crianças desde os três meses de idade até a adolescência, dependendo da formação profissional recebida. Há também o serviço de Day Nursery (berçário), que são instituições privadas que atendem crianças dos seis meses aos três anos. Recentemente a legislação sofreu uma alteração que assegura o direito das crianças a uma vaga no sistema público de ensino a partir dos 3 anos e nove meses.

A educação primária, que compreende dos 5 aos 11 anos, é dividido em duas etapas, conforme a faixa etária: i) dos 5 aos 7 anos, centrado no ensino da Língua Inglesa e Matemática; e ii) dos 7 aos 11 anos, com ênfase em Matemática, Língua Inglesa e Ciências.

A educação secundária compreende dos 11 aos 16 anos, também dividido em duas etapas: i) dos 11 aos 14 anos, depois dos quais o aluno faz a avaliação nacional em Matemática, Língua Inglesa e Ciências; e ii) dos 14 aos 16 anos, depois dos quais o aluno faz a avaliação nacional estudam para obter o certificado geral da escola secundária (GCSE). A diferença, em relação à educação primária, é que os estudantes cursam uma série de disciplinas obrigatórias, incluindo Design e Tecnologia, Tecnologia da Informação e Comunicação, Educação Religiosa, Orientação Vocacional e Educação Sexual. Há também disciplinas eletivas, escolhidas a partir dos interesses, preferências e habilidades individuais dos alunos, incluindo, entre outras, História, Geografia, Artes, Música, Administração, Assistência Social e Saúde, Lazer e Turismo.

Aos 16 anos, findo o período obrigatório de estudo, podem os estudantes partirem para o trabalho, se for o caso. Aqueles que optam por continuar seus estudos, partem para o nível chamado de educação adicional, que vai dos 16 aos 18 anos e compreende a formação profissional direcionada para o curso de graduação ou a carreira profissional que o aluno pretende seguir.

Após a educação adicional, os alunos prosseguem seus estudos através de cursos profissionalizantes ou no ensino superior. Quanto ao ensino superior, desde 2003 os estudantes experimentam novas regulamentações em todo Reino Unido. Quanto ao acesso, cabe às instituições de ensino superior a tarefa de decidir seus sistemas de ingresso, cabendo a elas definir os critérios seletivos de admissão em termos de rendimento acadêmico. O objetivo do governo é ampliar o acesso justo e isto contempla uma política de preços das universidades.

No que diz respeito à pesquisa, em 2004 o Governo publicou um plano de investimento de dez anos para a ciência e a inovação. Antes da presente crise mundial, que pode alterar esta tendência, o Governo fez um investimento no duênio 2007-2008 de 1 bilhão de Libras, valor bastante superior ao investido em 2004-2005. Este investimento, bem como sua provável continuidade, assegurará a qualidade e sustentabilidade dos programas de pesquisa nas mais diversas áreas.

Bem, na semana passada, o Brasil teve o prazer de receber o Príncipe Charles e a Duquesa Camila, os quais tinham praticamente uma agenda associada ao tema ecologia. Foram recebidos na Embaixada Britânica em Brasília, onde, a convite do British Council tivemos a oportunidade de compartilhar alguns momentos. Um dos destaques interessantes é que boa parte da bebida servida na recepção, de vinhos a espumantes, era da Vinícola Casa Valduga, o que nos fez sentir saudades e orgulho da produção gaúcha com qualidade internacional.

segunda-feira, 16 de março de 2009




PALESTRAS "A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO-TECNOLÓGICO" E OS 24 ANOS DO MCT


O começo da década de 1980 presenciou intenso movimento em favor da criação de um Ministério específico para a área de Ciência e Tecnologia. O candidato a presidente Tancredo Neves, em meados daquela década, comprometeu-se com a idéia. O presidente José Sarney, uma vez empossado, honrado o compromisso de Tancredo, materializou o compromisso estabelecido com toda a comunidade científica.

Renato Archer, um dos líderes pelo movimento da criação, foi então, com muita justiça, nomeado o primeiro ministro da pasta. Duas unidades passaram de imediato a ser vinculadas ao ministério, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Em 1990, o presidente Fernando Collor extinguiu o MCT e implantou a Secretaria da Ciência e Tecnologia, ligada à Presidência da República, sendo que dois anos depois, o presidente Itamar Franco editou outra medida provisória que voltou a criar o ministério, que permanece como pasta da área até hoje.

Assim sendo, após tantas idas e vindas, o agora consolidado em definitivo Ministério de Ciência e Tecnologia completa 24 anos neste mês de março e para comemorar o aniversário do MCT fui convidado a apresentar duas Palestras sobre o tema A Construção do Conhecimento Científico-Tecnológico.

O tema é tratado em caráter introdutório, via uma abordagem histórica, em nível acessível a todos, podendo ser de especial interesse aos que trabalham na área de Ciência e Tecnologia, em todos os seus abrangentes aspectos. Desde as primeiras formas de organização social do homem é possível identificar a sua constante tentativa de compreender o mundo que o cerca e a si mesmo. Denominamos genericamente de ciência, ou de seus primórdios, àqueles conhecimentos resultantes das inúmeras tentativas de entender e explicar a natureza de forma analítica e sistemática. Muito embora, no sentido estrito e rigoroso, ciência, que faz uso do método científico, só possa ser assim denominada a partir dos conceitos e atitudes dos cientistas do séc. XVII, período simbolicamente demarcado por Galileu Galilei.

Na primeira palestra (16 de março), as origens da ciência são apresentadas e as principais contribuições debatidas acerca do período que se inicia nas sociedades primitivas, passando pela Grécia Antiga e a Idade Média, até a Renascença, culminando com a consolidação das bases do Método Científico em Galileu.

Na segunda palestra (18 de março), o amadurecimento do método científico é abordado através da figura de Isaac Newton, que curiosamente nasce praticamente no mesmo ano que morre Galileu. Em seguida, serão analisadas as relações entre conhecimento e produção nos séculos seguintes, até o papel específico e determinante da ciência, tecnologia e inovação na sociedade contemporânea, incluindo as contribuições dos pensamentos dos grandes filósofos da ciência, entre eles Popper, Khun e Feyerabend.

domingo, 15 de março de 2009



AULA MAGNA NA UFG

Sempre tive muita simpatia pela Universidade Federal de Goiás. Não faltam motivos. Para citar um adicional, ela é irmã quase gêmea da Universidade Federal de Santa Maria, minha instituição.
Ambas nasceram quase juntas, sendo que a UFG foi criada no dia 14 de dezembro de 1960 com a reunião de cinco escolas superiores que existiam em Goiânia: a Faculdade de Direito, a Faculdade de Farmácia e Odontologia, a Escola de Engenharia, o Conservatório de Música e a Faculdade de Medicina. A partir de então, Goiás libertou-se da dependência em formar profissionais em escolas públicas em outras regiões. Foi um marco e continua sendo na história do Estado de Goiás.
Atualmente, seguindo os passos dos seminários iniciais que lhe deram origem, com a presença de Darcy Ribeiro e outros, pratica um ensino dinâmico e seus grupos de pesquisa estão cada vez mais e melhor consolidados.
Tive a oportunidade esta semana de ministrar a Aula Magna, por ocasião do início das atividades didáticas deste semestre, bem como de conversar, em outro período, com os pesquisadores da instituição.
Na Aula Magna tive o prazer de conhecer o Dr. Heitor Rosa, Diretor da Faculdade de Medicina da UFG, uma das cinco melhor avaliadas escolas de Medicina no último ENADE em todo país. Além disso, Dr. Heitor é profundo conhecedor de história da Medicina, com quem muito pudemos conversar sobre vários temas, inclusive sobre a final da Idade Média e a Renascença (tema também da Aula Magna).
Saber que a UFG está mais do que dobrando sua capacidade de atendimento na graduação, tanto na modalidade presencial como a distância e que sua pós-graduação atende a ritmo mais acelerado ainda é realmente uma grande alegria.
Nada disso seria viável sem as ousadias e competências, na mesma medida, da excepcional equipe comandada com muito brilho pelo Reitor Edward Madureira Brasil.
Um prazer saber que o Centro-Oeste e o país dispõem de instituições como a Federal de Goiás, capazes mesmo de, conjunta e solidariamente, enfrentar quaisquer desafios, sem medo dos problemas que vem juntos quando desbravamos novos caminhos.

segunda-feira, 9 de março de 2009





























AULA MAGNA NA UFS E APRENDIZAGEM IDEM

Ronaldo Mota


A Universidade Federal de Sergipe (UFS) teve seu início, enquanto Universidade, durante a década de 1960, resultado de iniciativas anteriores que datam da década de 1920.

Na verdade, hoje a instituição poderia denominar-se Universidade de Sergipe, dispensando o sobrenome do meio, dado sua afinidade e compromisso com o Estado. Não há tema de desenvolvimento estadual que não seja assunto de sua alçada e não há, igualmente, solução que não conte com sua participação solidária.

Mais recentemente, especialmente através dos Programas Universidade Aberta do Brasil (UAB) e Reestruturação Acadêmica e Expansão das Universidades Federais (REUNI), tem sido possível à UFS mais do que dobrar suas vagas e propiciar cursos em áreas estratégicas, inexistentes até então.

O Reitor, Prof. Josué Modesto, é um dos mais renomados economistas do país, profundo conhecedor de história econômica, matéria imprescindível para entender o contexto da crise atual. O Vice-Reitor, Prof. Ângelo Antoniolli (comigo na foto ajudando carregar o peixe), um cientista na área de farmacologia com visão empreendedora singular, em conjunto com equipe administrativa competente e harmônica, compõem a receita para uma universidade de sucesso, como tem sido observado na prática por todos naquela unidade da federação.

Tive o prazer de ministrar a Aula Magna da UFS por ocasião dos inícios das atividades acadêmicas deste ano, especialmente aos estudantes recém-ingressos dos turnos diurno e noturno. Em ambos os períodos, deparei-me com calouros muito interessados no tema do método científico e a evolução histórica ao longo dos caminhos da humanidade. Caminhos que passam pelo Australopithecus, Homo habilis, Homo erectus, Homo neanderthalensis e Homo sapiens sapiens, bem como nosso berço maior da civilização ocidental: a Grécia Antiga (ver figuras acima).

Não sei se consegui ensinar tudo o que pretendia, mas aprendi muito no final de semana posterior. Aprendi muito, particularmente no contato com a natureza. Existe uma região, próxima com a divisa com a Bahia (Mangue Seco, mais exatamente), próximo à localidade de Estância, onde braços do mar adentram o território sergipano, formando um eco-sistema de manguezal admirável.

Aprendi (comecei a aprender) o papel do mergulho na observação daquilo que de fora não é visto na riqueza do fundo daqueles cursos d’água. Pescamos na medida de nossa capacidade de comer, preservando o equilíbrio natural. Mesmo assim, os peixes são enormes.

Com o apoio do mergulhador Misso (pescador nativo) pudemos escolher a dedo (que aperta o arpão) um peixe (garoupa) fantástico de 45 Kg (ver fotos). Fantástico ver charéus de quase um metro de comprimento cercando cardumes de curimãs (tainhas para os do sul). Um ambiente inigualável em beleza.

Aprende-se muito, especialmente a diversidade do Brasil e sua riqueza humana, podendo conviver com pessoas da mais alta qualidade e espírito humano solidário e adoradores da confraternização. Vivendo e aprendendo, ensinando quando possível.