sábado, 31 de janeiro de 2009


FEDERAL DE ITAJUBÁ: UMA UNIVERSIDADE COERENTE COM SEU TEMPO

Ronaldo Mota


A Universidade Federal de Itajubá, UNIFEI, é quase centenária, tendo sido fundada em 1.913. As áreas eletrotécnica e mecânica estiveram presentes como áreas centrais desde sua origem.

Da denominação original, Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá – IMEI, passando pela federalização em 1.956, pela transformação em Escola Federal de Engenharia em 1.968, bem como pela transformação em universidade em 2002, algumas características lhe são peculiares enquanto instituição: o dinamismo, a qualidade e a vocação tecnológica.

Ao longo do tempo, outras áreas foram sendo agregadas, tais como engenharia de produção, eletrônica, computação, hídrica, física e até administração. Mesmo esta última ministrada com todas as características de um curso com viés tecnológico.

Pois bem, na semana passada, com muita honra, fui Paraninfo dos formandos 2008 das turmas de engenharia e administração. Já fui homenageado várias vezes por meus estudantes, mas essa vez foi especial e única. Nunca houvera sido antes homenageado por turmas para as quais não havia eu ministrado uma aula sequer.

Curioso era fazer pleno sentido, mesmo que não habitual. Com alguns dos docentes, bem como com alguns estudantes, raros, havia eu tido muito breve contato pessoal anterior nos eventos do CREA/CONFEA/Abenge, no caso das engenharias, e nos eventos da ANGRAD, no caso de administração, mas a imensa maioria era a primeira vez que me encontrava pessoalmente com eles, ainda que aparentando conhecê-los há muito tempo.

Creio que o tínhamos, e temos, em comum era a visão de mundo e o papel da ciência, da tecnologia e da inovação na formação educacional e no exercício do futuro profissional. A UNIFEI tem em todos os seus cursos certas características que lhe são próprias, ainda que não exclusivas, de forte componente tecnológico, de estímulo a uma visão empreendedora de seus estudantes e um apreço pela qualidade em todas as suas dimensões.

Recentemente conversando com um dirigente do SEBRAE, questionei sobre um exemplo no País de bom relacionamento entre pequenas empresas e universidades. Após reclamar genericamente das federais (das públicas, em geral), destacou ele, em sua opinião, a quase singularidade positiva da UNIFEI.

Quando mapeamos no MEC, a partir de um conjunto de indicadores acadêmicos, algo que se aproximasse de um indicador geral de qualidade das universidades brasileiras, de novo, observamos que sempre surgia, entre as primeiras colocações, a UNIFEI.

Esse conjunto de elementos tornara natural, o que me fazia mais honrado ainda, aquele encontro, sendo Paraninfo de turmas que nada havia eu ensinado diretamente a eles. Só me restava, como derradeira mensagem de um Paraninfo, lembrar-lhes de pensamentos de Albert Einstein, entre eles: “Educação é aquilo que fica quando a gente esquece aquilo que nos foi ensinado”.

Aqueles formandos eram educados, mesmo quando, e se eventualmente, esquecessem, no futuro, o que lhes havia sido ensinado, por melhor que eles tivessem aprendido. Uma instituição que trabalha bem o conceito de educação e imprimi esse conceito no ensino que ministra, isso é a UNIFEI.

A preocupação com o processo ensino-aprendizagem é de tal monta que o Reitor Renato Nunes, dirigente exemplar, preocupa-se com elementos reconhecidamente centrais, mas que a muitos passa, eventualmente, despercebido. Uma dessas legítimas preocupações é com a questão de um espaço físico educacional compatível com as incorporações de novas tecnologias.

Ou seja, o mundo atual está em permanente e acelerada transformação e as nossas sala de aula são arcaicas, em todas as suas dimensões. São salas de aula réplicas das salas do ensino médio, remontando aos ambientes da Renascença, como se não houvesse o tempo transcorrido ou que, simultaneamente, transição alguma existisse entre os níveis educacionais, bem como nos diferentes processos de ensino-aprendizagem.

O tema é tão complexo como urgente e, de fato, temos poucos estudos e experiências sobre como repensar os ambientes educacionais à luz de uma nova visão do que significa educar pessoas preparadas aos tempos contemporâneos.

Restando ao Paraninfo torcer para que aqueles formandos saibam enfrentar com competência e sabedoria os tempos atuais. Para eles não há crise. Há desafios, mas eles foram capacitados exatamente para isso.

ÚLTIMOS ROMÂNTICOS

Ronaldo Mota

A pretensão do título é idêntica a achar que romântico é sempre bom. Nem sempre, embora os românticos sempre assim entendam. Portanto, é sim pretensão e é parte inexorável do romantismo.

O governo Lula, restando por findar-se poucos dias a mais que dois anos, sugere balanços, mesmo que parciais, e eles serão muito positivos. Até mesmo onde alguns acharam que não. Mexeu muito, inclusive nas pessoas que administram o país.

Defendo a concepção de uma burocracia estatal estável, permanente, competente e remunerada decentemente. Tudo isso é possível e passos importantes têm sido dados nessa direção, ainda que inconclusa a missão. Mas o tema que quero tratar é outro, ainda que correlato.

Nos sistemas democráticos é desejável que partidos ao terem sucesso eleitoral façam uso de seus quadros, os mais competentes, para auxiliar a formular e implementar as políticas que submeteram ao julgamento popular. É também intrínseco da democracia que os arranjos permitam acomodações de quadros que nem sempre primam pelo desejável domínio da especialidade, fragilizando, de alguma forma, a capacidade de implementação e formulação. É a democracia, com seus ônus e bônus.

Inegável que os últimos governos, Fernando Henrique e Lula, cada qual à sua maneira, ambos propiciaram que uma geração de profissionais menos habituados ao exercício da administração central enfrentassem o desafio. Cada período exigiu que formuladores, motivados por suas convicções políticas e ideológicas, dessem prioridade ao exercício de funções burocráticas, ainda que correlatas ao que faziam anteriormente, e tivessem oportunidades que lhes pareciam, no passado, menos próximas.

A nação tem presenciado os melhores formuladores, em cada distinto governo, sempre legitimados pelo referendo popular, realizar o exercício prático de suas idéias. Que mais pode querer de bom um país?

Com romantismo, mas sem prejuízo da apreensão correta da realidade, todos têm aprendido, acertaram e erraram, mas inquestionavelmente tem se formado um elenco de profissionais que, além de seu fazer específico, aprendeu a auxiliar a governar. Sem medo, sem inibição ou preconceitos com o poder, pelo contrário, se orgulhando de se sentirem governo.

No entanto, é também verdade a constante mudança das coisas (os budistas denominam “impermanência”). Assim, preocupa-me não o que ficou para trás. Indago-me mais sobre o que vem pela frente. Cada vez parece que encontramos menos pessoas com esse perfil. Encontro-as mais indo do que vindo. Há, infelizmente, uma relativa retração de um movimento positivo de atração de profissionais, aptos e desejosos da oportunidade da formulação à ação, enfrentando o desafio do exercício administrativo público.

Parece haver, em sentido oposto, uma maior consolidação relativa em direção àqueles mais periféricos, menos pretensiosos, que compensam as deficiências na capacidade de formulação pela aptidão com que sobrevivem favorecidos pelo apreço ao poder e do poder.

Assim, preocupa-me podermos ter, gradativamente, um contexto de uma burocracia estatal, que ainda não se consolidou totalmente, acompanhada, cada vez mais, de transitórios com pouca capacidade de formulação e, definitivamente, sem nenhum romantismo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009


Ciência, Tecnologia e Gerações na VI Bienal da UNE


Ronaldo Mota



Realizou-se em Salvador-Ba na semana passada a VI Bienal de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE), onde participei como convidado. Um dos temas destacados pelos organizadores foi o papel da educação e da inovação nas universidades e, principalmente, indo além de seus muros.

Foi uma oportunidade muito rica de apresentação e debates de idéias acerca de um tema crucial que impacta na educação superior através da extensão, em todas as suas dimensões, na economia, enquanto resultados das tecnologias que são engendradas pelo desenvolvimento científico, e, especialmente, pelo incentivo à inovação e à criatividade em todos os seus aspectos.

Além de todas as contribuições decorrentes das dezenas de atividades desenvolvidas, foi um momento único em termos de oportunizar o encontro de várias gerações de acadêmicos, permitindo observações muito interessantes sobre o que diferentes faixas etárias têm para aprender e ensinar quando se encontram. Aprender juntos quando pensam que ensinarão sozinhos e educar coletivamente quanto mais nos assumimos enquanto eternos aprendizes.

Os tempos atuais se caracterizam pelas quebras de barreiras. De gênero, cada vez mais mulheres em qualquer área da atividade humana, de etnias e raças, em um mundo cada vez mais multicolorido, e de enfrentamento de vários outros preconceitos. Um quase preconceito, menos perceptível, permanece: o de idade. E como é difícil superá-lo.

Por mais que observemos as citadas evoluções, os agrupamentos sociais têm, em geral, nas faixas etárias um estigma. Mais jovens com os seus, os adultos menos idosos nos espaços respectivos, cada vez mais comuns os programas para terceira idade etc. Há, naturalmente, cruzamentos e junções etárias, mas são raros.

Ainda que episódicos esses eventos, interessante perceber como são profícuos, sendo momentos onde todos acumulam experiências e educam, coletiva e solidariamente. Não importa que não seja simples aos mais jovens observar a dimensão do que significa termos vivenciado o surgimento dos Beatles ou a queda da ditadura. Afinal, somente 35% da população sabem o que foi o movimento "Diretas-já!" de 25 anos atrás. Tão difícil como nos convencermos (e nos consolarmos) de quantos Obamas os mais jovens vivenciarão, ainda que, desafortunadamente, no futuro não mais compartilhemos, talvez. Importa agora o que os extremos etários têm a falar, e a ouvir, entre si.

O estranho, muitas vezes, é acharmos naturais coisas que, de fato, não o são. Tende-se a imaginar o mundo atual mais libertário e inovador, enquanto o antigo retrógrado e preconceituoso. Vejamos, a título de exemplo, as danças e os momentos de confraternização. Alguém já parou para refletir sobre o que foram os saraus dançantes de outrora. Nada mais ousado, despudorado. Dançava-se agarradinho, até de rostinho colado, com quem nunca se vira antes. Era simples, convidava-se a moça, se com sorte ela aceitasse, eram momentos primorosos e inesquecíveis. O contato físico, o perfume e todas as sensações decorrentes.

Hoje, em geral, as danças são quase solitárias e nada solidárias. Fosse o inverso, do descolado e distante antes para o juntinho agora e teríamos todo tipo de acusações contra a evolução indecente, inaceitável e ultrajante. Já imaginaram quantos processos de assédios teríamos hoje se metade das evoluções daquele período ousasse prosperar nos salões atuais?

Voltemos para o evento da UNE mais diretamente. Há um admirável permanente despertar de estudantes universitários e secundaristas. Todos muito conscientes, bem intencionados e maduros politicamente. É um permanente, vigoroso e elogiável renascer permanente, gerando a formação de quadros muito preparados para enfrentar os desafios das próximas gerações. Diria mesmo que este movimento em direção a ouvir os menos jovens é fruto exatamente de tal maturidade.

Quanto vale ouvir o jornalista Raimundo Pereira sobre democratização da mídia? Pode-se pensar, ter opinião, mas Raimundo foi além, ele fez. E fez muito. Acertou, errou, tanto faz. A dimensão de seu trabalho no ciclo Opinião, Pasquim, Movimento, Em Tempo etc. é transcendente. Ouvi-lo uma obrigação e um prazer para quem quer pensar o que foi, o que é e o que será o jornalismo no Brasil.

Fui lá para compartilhar pensar sobre ciência, universidade e o mundo que os cercam. Natural e compreensível que ímpetos e anseios apareçam: ciência a favor dos setores oprimidos, ciência para o povo etc. Difícil mesmo é, mesmo entendendo os bons propósitos dos sentimentos que geram tais concepções, nos confrontarmos com elas. Imprescindível lembrarmos que ciência é, antes de tudo, o desejo de ir além da fronteira, inovar algo que transcenda o que já se domina, ousar experimentar em novos contextos e propor idéias que se pretendam inovadoras.

Independente da nossa incapacidade de definir a priori o que seja ciência engajada ou ciência qualquer não previamente engajada, há algo de essencial na produção do conhecimento que faz a questão inicial irrelevante. Imaginemos, para efeito de puro exercício, que existissem (lembro que definitivamente é especulativo) as duas ciências, a comprometida com o povo e aquela descomprometida ou mesmo, por suposto, contra os interesses da maioria. Uma pergunta simples: quem, e baseados em quais critérios, fariam o julgamento? Como discernir entre o bom e o mau? Entre o correto e justo separando-o do errado e do injusto?

É da essência da evolução do conhecimento, em qualquer nível e contexto em que se realize, a imprevisibilidade da ciência, da tecnologia que ela por ventura engendra, e as inovações que delas resultam. É o indizível. Observe que isso não nos torna impotentes e nem faz de todas as teorias inocentes e iguais. Pelo contrário, é também do mundo da ciência o debate, a discordância, a contraposição. O que destacamos é que, infelizmente (eu diria felizmente), tais fronteiras entre as modalidades (boas e más) da produção do conhecimento, decididamente, não existem.

Existe sim a necessária crítica permanente, bem como a disposição para estarmos alertas sobre os caminhos que envolvem a produção e a utilização de qualquer novidade. O que é diferente, muito diferente, de nos pressupormos capazes de avaliar ou categorizar as ciências em blocos, a favor ou contra a maioria, sejam esses conhecimentos engajados ou descomprometidos.

Importante que se fale, imprescindível que se ouça, mas inevitável que seja difícil explicar as emoções de dançar colado tanto quanto a beleza intrínseca da novidade de especular no campo do saber. Tal qual dançar, só fazendo e deixando o tempo nos ensinar. Educando a todos, dado que sempre aprendemos e seremos todos, queiramos ou não, estudantes para sempre.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009






Explorando Instrução entre Pares: Uma Introdução ao Método de Mazur




Ronaldo Mota



A denominada técnica de instrução entre pares é parte de um método criado por Eric Mazur, professor de Harvard, visando a transformar a aula em mais interativa via o envolvendo intelectualmente dos estudantes com as ações em curso.


O Prof. Mazur é um dos autores presentes na edição especial da Revista Science, número especial deste mês (2 de janeiro de 2009, vol. 323, páginas 1-174) dedicado ao tema: “Science & Technology”. A revista está imperdível e é acessível gratuitamente online através de:

http://www.sciencemag.org/current.dtl/

De fato, o "metodo" do Prof. Mazur, naquilo aqui apresentado, é mais uma estratégia do que propriamente um método, no sentido estrito. No entanto, neste contexto, em conjunto com as reflexões da TEIA sobre andragogia, método Keller, papel das TICs, critividade etc., certamente formam um conjunto harmônico. Na verdade, o conjunto de textos que segue deve ser visto (e lido) sempre em caráter complementar e o todo deve fazer algum sentido.

Retornado ao método de instrução entre pares, ele se baseia essencialmente nas seguintes simples operações:

  • O instrutor, ou orientador acadêmico, apresenta aos estudantes uma questão de natureza qualitativa (usualmente com múltiplas escolhas), a qual foi cuidadosamente construída para colocar os estudantes frente a frente com as dificuldades de conceitos fundamentais presentes na questão proposta.
  • Os estudantes analisam o problema proposto a partir de seus diversos pontos de vista e apresentam suas respostas de tal forma que uma parte deles optará por uma das múltiplas escolhas apresentadas e outros, eventualmente, tomarão diferentes alternativas.
  • Os estudantes discutem o assunto com seus colegas por alguns minutos (sem a interferência do instrutor neste momento) e optam de novo entre as múltiplas escolhas fornecidas.
  • Os temas propostos são então resolvidos com as discussões em classe, com a participação do instrutor, permitindo explorar neste nível o máximo de clarividência sobre o assunto.

Este método, além de ter a vantagem de envolver os estudantes e transformar as aulas mais interessantes para eles, tem a relevância de propiciar ao instrutor um retorno mais significativo sobre a classe como um todo e o que efetivamente é sabido sobre o tema proposto. Desta forma evitamos a generalização, nem sempre justificada, de, a partir do fato que um estudante domina a matéria, estendermos para o todo. Nesta estratégia é possível obter se informação mais qualificada acerca da distribuição do conhecimento entre os estudantes.

Este método também oferece significativa oportunidade para envolvimento dos estudantes nas discussões acerca das razões e sobre a construção e validade dos conhecimentos específicos. Ao decidirem coletivamente por uma resposta como a certa, os estudantes estão também aferindo a validade da mesma e as condições em que as teorias que a embasa são válidas.

Para mais informações, inclusive sugestões de temas interessantes para testes do método, veja:

http://www.deas.harvard.edu/galileo/login/

P.S. Não deixe de visitar também dois outros apaixonantes sites relacionados com o tema acima (de alguma forma):

1) http://geoset.group.shef.ac.uk/

refere-se ao Global Educational Outreach for Science Engineering and Technology, o qual é uma iniciativa para tornar acessível material de alta qualidade para ensino de ciências, engenharia e tecnologia. O material é gratuito e fácil realizar dowload.

2) http://nsdl.org/

que é a Biblioteca Digital Nacional (USA) para educação e pesquisa em ciências, tecnologia, engenharia e matemática. Ambos sites imperdíveis.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008


SIMPLES, BASTA ESTUDAR ANTES
Ronaldo Mota





Não há teoria educacional aceitável que não esteja baseada na prática. Pouco coopera também a prática dissociada e que dispensa teorias, dado que errática.

A TEIA (Tecnologias Educacionais Inovadoras Andragógicas) não pretende necessariamente constituir-se como teoria, mas sim num conjunto de abordagens associadas ao processo ensino-aprendizagem. Se um resumo fosse necessário para identificar de forma sintética a “novidade” ou “característica” do processo proposto, diria que o melhor seria: Simples, basta estudar antes.


A proposta de estudar antes das aulas lembra, guardadas as diferenças e circunstâncias, uma frase presente nas manifestações estudantis de 1968 na França: sejamos realistas, peçamos o impossível! A semelhança entre o realismo e o impossível é o caminho em construção. Ninguém imagine a tarefa simples ou imediata.

Trata-se efetivamente de mudar uma cultura. Antiga por que calcada em hábitos que vem da educação básica e arraigada por que envolvendo todos os atores, tanto alunos como professores. No entanto, não há outro caminho capaz de formar pessoas preparadas adequadamente aos nossos tempos, daí o realismo.

Para termos noção da dimensão do problema, bom recordarmos que em nossa cultura educacional a criança com seis ou sete anos é obrigada a ir à escola. E é bom que seja assim. Os pais ou responsáveis respondem legalmente pelo não cumprimento dessa obrigação.

De forma que, mesmo empurrados pelos braços, os alunos iniciam a vida escolar no ensino fundamental e permanecem ao longo do ensino médio, para aqueles que atingem este nível. Em suma, permanecem as características de escola enquanto obrigação e o ideal do aluno associado fortemente ao ato de estudar, somente depois, aquilo que foi ministrado previamente em sala de aula.

Considerando que até o passado recente o ensino universitário era predominantemente de acesso às classes sociais médias e altas, o caso mais comum (típico) era de jovem em torno de vinte anos, seguindo para universidade quase por inércia, imeditamente após o ensino médio, por impulso social, quase sempre sem compromisso com o trabalho e com hábitos e costumes totalmente "grudados" naqueles mesmos do ensino médio.

Coerente com tal perfil, os métodos educacionais adotados não procuraram em nada destoar das metodologias pedagógicas anteriores, muitas vezes agravados pelo estímulo à memorização e preparação a responder questões, elementos típicos associados aos processos seletivos que ainda perduram.

Tal cenário tem sido invadido por todos os lados e, às vezes, demoramos para percebê-lo, dando uma sobrevida a algo que não mais responde às novas realidades. Os estudantes já não são os mesmos, sendo que na virada desta década, que estamos próximos, a maioria do corpo discente terá mais de vinte e cinco anos, serão casados, com filhos, trabalhando e, em geral, estudando à noite.

O mundo do trabalho está a exigir profissionais mais bem formados do que simplesmente informados, onde a capacidade de trabalhar em equipe e a preparação para educação permente ao longo da vida estejam presentes. Enfim, habilidades e competências capazes de fazer com que o profissional não tema o novo, esteja preperado para desafios, sejam eles quais forem. Tais ingredientes serão definidores do sucesso ou insucesso das empreitadas.

Assentado nos argumentos dos mecanismos auto-instrutivos tradicionais, buscando compatibilidade com os perfis dos estudantes atuais e com os futuros profissionais que pretendemos formar, as considerações apresentadas na TEIA valem indistintamente para a modalidade presencial ou a distância.

As atividades propostas aos estudantes que precedem os momentos presenciais não têm a intenção de substituí-los, mas de prepará-los para uma nova dinâmica de sala de aula. As abordagens aqui propostas aproximam-se daquilo que costumamos denominar de modalidade híbrida flexível, a qual procura combinar os elementos mais adequados das duas modalidades, presencial e a distância.

As tecnologias inovadoras que puderem ser incorporadas são essenciais, ainda que ferramentas do processo, viabilizando que o conteúdo das disciplinas, bem como seus cronogramas e outras funcionalidades, estejam acessíveis aos estudantes desde os primeiros momentos da relação professor-estudante.

Contribuições, críticas e sugestões gerais são muito bem-vindas. Mesmo. As experiências de sala de aula são o motor principal capaz de dar vida às teorias. Desta forma, construindo, coletivamente, os procedimentos e abordagens que jamais pretenderão se transformar em receitas gerais, universais e atemporais, o que contrariaria os postulados iniciais de respeito às diferenças e o reconhecimento das peculiaridades, riquezas maiores do cenário educacional brasileiro.

A única pretensão não é o convencimento de alguém, ou de todos, mas sim despertar para abordagens que não tenham sido bem estabelecidas ou exploradas antes. Só e tanto. Estudar antes, consolidar em sala de aula e aprender sempre! Essa é a essência dos textos que seguem.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008


CONTRIBUIÇÕES DOS LABORATÓRIOS E DO TRABALHO EM EQUIPE


Ronaldo Mota




Dois elementos, que por descuido têm sido entendidos como meramente complementares, são, de fato, essenciais no processo ensino-aprendizagem. São eles:

1. o laboratório como espaço de prática, onde os conceitos são consolidados, os pensamentos abstratos assumem a solidez da experimentação e efetiva-se a oportunidade de erros e acertos, simulando o exercício mais próximo possível da atividade profissional, reforçando as bases do pensar segundo o método científico;

2. o trabalho em equipe, onde aspectos primordiais do aprendizado são explorados, via construção coletiva, onde a percepção do(s) outro(s) é experimentada e desenvolvida, despertando e incrementando o (re)conhecimento das limitações e potencialidades, próprias e dos demais, além de ser espaço preferencial para cultivar o respeito à tolerância e à diversidade.

A dinâmica que leva esses dois elementos de aspectos marginais pra centrais está fortemente relacionada ao perfil do futuro profissional que pretendemos formar Nossos tempos atuais diferem dos anteriores (uma década ou mais) por várias características. Destaquemos algumas:

a) o mundo do trabalho costumava ser mais previsível, permitindo ser o conteúdo formativo mais definido;

b) os limites de informações mínimas exigidas e necessárias eram mais bem delimitados, tal que os currículos e os programas das disciplinas duraram por anos, às vezes, décadas;

c) as tecnologias envolvidas alteravam-se pouco e em ritmo compatível com preservar uma proximidade aceitável entre o que era utilizado em sala de aula e o que era demandado na vida profissional;

d) uma vez formados, era até aconselhável novos estudos, mas, mesmo sem eles, havia espaço abundante de sobrevida na profissão;

e) a maior parte das tarefas poderia ser realizada primordialmente de forma individual, quase solitária, ainda que inserida no coletivo; e

f) a capacidade de texto, tanto interpretação como elaboração, era relativa, não causando grandes embaraçados a quem não a dominasse efetivamente.

Nenhuma das características acima permanece. Pelo contrário, um furacão parece ter varrido do mapa aqueles postulados, demandando novos paradigmas urgentes. As instituições educacionais terão muita dificuldade em prever os desafios que seus estudantes, uma vez profissionais do mundo do trabalho, enfrentarão. Não por alguma deficiência delas, mas sim pelas características inerentes aos tempos atuais, onde os problemas que eles enfrentarão demandarão soluções que são exatamente aquelas associadas a questões de natureza imprevisível.

Assim, ter como elemento curricular, de alguma forma, o estímulo a como se portar perante o não previsto torna-se crucial. Por sinal, postura e solução são elementos igualmente relevantes para consolidar processos formativos capazes de encaminhar pessoas sem medo do inédito, do não previsto, do desafio a ser superado.

A partir de nossos tempos, a velocidade e facilidade de acesso à informação, bem como sua quantidade, se aceleram ao ponto de podermos definir que a informação não é mais um problema. A sua correta seleção e o seu adequado uso são os verdadeiros desafios envolvidos. A informação bruta sempre estará disponível, cada vez mais. O que fazer com ela passa a ser o ponto crítico. É o apogeu da memória dando espaço para o raciocínio. Passamos, rapidamente, de processos iminentemente informativos para essencialmente formativos. Não ficou mais simples, ficou mais complicado, porém, irrecorrível, dado que é assim que se molda o mundo atual.

As tecnologias costumavam durar mais. Idos tempos. A ficção confunde-se com o real exposto ao simples fluxo natural do relógio. A escala de tempo entre o ingresso e a formatura de um curso de graduação não resiste à comparação entre tecnologias disponíveis nas duas extremidades. É a não permanência das tecnologias. Ou seja, o início da prática profissional já defasará do começo do processo formativo, agravado pelo fato que o exercício tende naturalmente a se dar com equipamentos mais sofisticados que usualmente as escolas conseguem tentar acompanhar.

Dado o inevitável, há que se formar pessoas sem medo de inovações tecnológicas, sejam elas quais forem. Postura frente ao inédito passa a ser mais ou tão importante como conhecê-lo, dado que perene, permanente, hábito, costume.

Estamos no mundo da educação permanente, ao longo de toda vida, etapas que se sucedem, sendo estudantes para sempre. Ou nos acostumamos a esta nova realidade ou ela nos atropela. Ainda que sejamos paraninfos (eu serei dos formandos da Universidade Federal de Itajubá em janeiro/09, com muito prazer), não há como vender a ilusão da conclusão, a não ser de etapas infindas. Sucessivas e permanentes.

O estudante ser mais ou menos sociável ou introspectivo tem sido tratado como da esfera individual e relativamente dissociado do processo avaliativo. Na verdade, os testes individuais, que são os dominantes, às vezes exclusivos, tendem a enaltecer somente elementos individualizantes, quase não percebendo ou computando características associadas ao comportamento no coletivo.

No entanto, a experiência de vida prática evidenciará como e em que medida a dimensão de saber trabalhar em equipe preponderará. Entender as limitações do outro, saber explorar as características positiva dos elementos de um grupo de trabalho, estabelecer sincronia e determinação coletiva e espírito de equipe definirão, na maior parte dos casos, o sucesso ou o insucesso de uma empreitada na vida real. Isso é válido em todas as esferas de atividades humanas, sem exceção, ainda que respeitadas as peculiaridades em cada uma delas.

Por fim, no passado a capacidade de comunicação escrita poderia ser, no limite, dispensada. Hoje passa a ser vital e central, sendo que os laboratórios e os trabalhos em equipe podem simular a melhor prática em direção a estimular tais habilidades. Da mesma forma, é estratégico para o bom processo formativo o hábito permanente da comunicação através das novas tecnologias e elementos multimídia como meio de expressão de uma idéia, bem como a capacidade de entender novos pensamentos e raciocínios sofisticados.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008



CRIATIVIDADE, EDUCAÇÃO E O PAPEL DO DOCENTE

Ronaldo Mota




A civilização Micênica, em torno do século XVII a.C., constituiu-se no primeiro império do mundo ocidental em função de controlar o bronze e, a partir dele, obter ferramentas para uma agricultura, que gerava excedentes, e armas de guerra, que permitiram escravizar seus vizinhos. Foram, posteriormente, derrubados pelos Dórios, no século XII a.C., que, por sua vez, dominavam o ferro, superior ao bronze naquelas finalidades.

Mais recentemente, houve um período da história da humanidade onde o país que controlasse as colônias, conseqüentemente o fluxo de matérias primas, transformava-se numa nação dominante. Em seguida, a prioridade esteve associada ao controle do processo industrial e da apropriada manipulação da ciência e, especialmente, da tecnologia dela decorrente.

Considerar o passado ajuda a entender o presente e ousar prever o futuro. Temos muito poucos elementos para saber o que será, nos próximos anos, determinante na relação entre países e entre grupos sociais dentro de um mesmo país. No entanto, se tivéssemos que apostar, em uma única palavra, para definir o que está por vir como determinante, provavelmente, a palavra-chave seria criatividade.

A dificuldade, no entanto, começa por não termos uma definição precisa do que seja afinal criatividade. A mais abrangente abordagem trata do tema como estando associada, genericamente, à ação do indivíduo ou de um grupo, os quais, usando os símbolos e conceitos de um dado domínio, introduzem uma nova idéia e essa novidade é selecionada pelo coletivo como relevante para o desenvolvimento do próprio domínio.

Criatividade está também associada a processos de mudança, de desenvolvimento e de evolução na organização da vida subjetiva, através da manipulação de símbolos ou objetos externos para produzir um evento incomum para nós ou para nosso meio.

Seria mais adequado afirmar que dentro do amplo universo de conceitos sobre criatividade, eles se assemelham e muitas vezes se complementam. Os diversos conceitos estão ligados a estilos de pensamento, características de personalidade, valores e motivações pessoais ou coletivas, bem como a fatores de ordem social e normas previamente estabelecidas.

Portanto, criatividade está associada a variáveis diversas, contendo elementos de natureza complexa, de características multifacetadas, envolvendo uma interação dinâmica entre elementos relativos à pessoa, o coletivo, o ambiente, valores e normas culturais. A criatividade contempla associações e combinações inovadoras de planos, modelos, sentimentos, experiências e fatos.

Etimologicamente, criatividade deriva de criar, do latim creare, que significa dar existência ou estabelecer relações até então não configuradas no universo do indivíduo ou do coletivo.

Educacionalmente é preciso estabelecer que criatividade não é privilégio de selecionados, podendo e devendo ser desenvolvida através de determinadas condições que colaboram com suas manifestações ou com a amplificação das mesmas.

Mesmo não excluindo ninguém de potencial criativo, é certo também que alguns indivíduos já apresentam, naturalmente, maiores evidências desse padrão de comportamento curioso, investigativo e voltado à experimentação, tanto em suas áreas de interesse ou em terrenos nem tão familiares, envolvendo outras culturas, tecnologias, idiomas etc.

Acredita-se também que o potencial criativo tenha início na infância. Quando as crianças têm suas iniciativas criativas elogiadas e incentivadas pelos pais, tendem a ser adultos mais ousados, propensos a agir de forma inovadora. O inverso também parece ser verdadeiro.

Enfim, embora não saibamos nenhuma regra pré-estabelecida, podemos elencar fatores que podem ser positivos ou negativos (estimulam ou inibem), os quais dependem das características presentes na organização e nas concepções e nas posturas de seus gestores.

A grande novidade que enfrentaremos, em futuro bem próximo, será menos provar a extrema relevância da criatividade, mas sim a convicção que se trata de algo que podemos despertar e estimular ou, alternativamente, reprimir, inibir e sufocar. Em especial, perceberemos, cada vez mais, que Educação tem tudo a ver com criatividade.

Assim, no campo educacional, a criatividade está relacionada com a capacidade de absorver, transformar e produzir conhecimento, cabendo à escola garantir as necessidades fundamentais e propiciar o ambiente adequado para que o estudante seja estimulado a criar, a partir do que já foi aprendido, lidando com o novo e despertando valores positivos associados à invenção em geral e à descoberta de conhecimentos originais.

Partindo do pressuposto que criatividade é uma capacidade que pode ser estimulada, ela esta está relacionada de várias formas aos atos de ensinar e de aprender, através de suas metodologias, no sentido amplo do termo.

No meio escolar, se o educando estiver inserido num ambiente acolhedor e prazeroso, estimulador da inventividade e do apreço pelo novo, certamente isso contribuirá (pelo menos haverá uma chance maior) para que ele seja um cidadão e um profissional mais criativo nas etapas posteriores.

Fundamental é estar exposto à criatividade, ou seja, propiciar oportunidades e incentivar a busca de novas experiências, motivando testar hipóteses e, principalmente, estabelecendo novas formas de diálogos. Este processo fica mais rico ainda quando realizado com pessoas de outras formações, com diversos tipos de experiências e provenientes de diferentes culturas.

A dificuldade é que sabemos muito pouco acerca desse suposto ambiente acolhedor e estimulador da criatividade. Curiosamente, sabemos muito mais sobre como inibi-la, como bloquear inventividades e como dar espaço ao desprezo e ao preconceito contra o novo. São muitos os exemplos desses obstáculos, incluindo ambientes escolares desmotivadores, metodologias ultrapassadas e desconectadas da realidade do educando, viés autoritário e repressor etc.

Costuma-se dizer que saber o que inibe criatividade não é desimportante, é muito importante. Ao identificarmos os elementos que cerceiam inovações, temos metade do caminho cumprido em direção a gerar os ingredientes que despertam a inventividade e deixam fluir a capacidade de criação.

Certamente o papel do professor no contexto escolar é crucial nessa mediação de processos ensino-aprendizagem que tenham como preocupação central desinibir aspectos associados à criação. Cabe especialmente (não exclusivamente) ao docente a difícil identificação dos fatores influenciadores (estimulantes e inibidores) da inventividade no ambiente educacional.

Adams [1], analisando aspectos da criatividade, caracteriza quatro tipos de fatores ou barreiras, potencialmente bloqueadores da inventividade, estando esses fatores associados a: a) emocionais, quando as emoções e sentimentos agem sobre a capacidade de pensar, de comunicar as idéias e opiniões, com receios diante da possibilidade de fracasso; b) culturais e ambientais, quando as idéias e concepções de uma determinada sociedade, cultura ou grupo atuam de forma a inibir a quebra de paradigmas das próprias crenças, dificultando a aceitação a um novo modo de pensar; c) de intelecto e de expressão, que interferem diretamente na formulação de idéias, gerando inibição e desconforto na forma de expô-las com clareza e convicção; d) de percepção, onde os obstáculos impedem compreender problemas ou as informações necessárias para a sua resolução.

As barreiras emocionais estão associadas às dificuldades do estudante em comunicar suas idéias por medo ou receio de uma possível rejeição ou de um eventual fracasso. Há que se criar, especialmente no espaço da sala de aula, um ambiente que valorize também o erro, tal qual o acerto, como elementos integrantes do mesmo processo de aprendizagem. O fracasso, ou aquilo que assim é entendido, deve ser lido como ingredientes motivadores na construção do processo dinâmico seguinte, tratando a superação com naturalidade. Não é simples essa construção, mas é fundamental que se persiga esta prática.

Sobre os bloqueios culturais e ambientais, geradas por pressões sociais, culturais ou de um determinado grupo a que pertencemos, podem tornar não simples a aceitação de idéias diferentes ou divergentes daquelas tradicionalmente dominantes.

Bom destacar que se costuma associar o fato de maior diversidade de ritmos musicais a espaços mais propícios para o estímulo da criatividade. Haveria, em tese, uma correlação entre diversidade musical, seja ela produzida, praticada ou simplesmente ouvida, e ambientes criativos. Quanto mais ritmos musicais um grupo social, uma região ou um país dominam, praticam e divulgam, mais criativos tendem a ser seus habitantes ou componentes. Assim, ambientes que se caracterizam pela pluralidade, flexibilidade, diversidade e tolerância são, em princípio, mais propícios a derrubarem barreiras culturais e ambientais.

Na escola, o professor, que além do conhecimento específico que o caracteriza, tem também um papel de orientador e facilitador, e deve estar atento a todas as situações. O ambiente escolar é composto por pessoas multiculturais e, felizmente, bastante diferentes entre si. Os preconceitos e pré-julgamentos devem ser pauta de discussões entre o corpo docente e o corpo discente para que todos possam compreender e respeitar as diferenças existentes dentro de qualquer grupo formado por pessoas. Ser diferente é normal.

Outro fator apontado por Adams são as barreiras intelectuais. Essas barreiras bloqueiam a criatividade quando a escolha de (ou falta de) linguagens ou de estratégias para solucionar problemas acaba prejudicando, pois o indivíduo acaba desmotivado em buscar criativamente alternativas para transpor os problemas apresentados.

Para que o desbloqueio intelectual, pode o docente trabalhar possíveis sistematizações de solução de problemas (existem várias), destacando os estágios clássicos envolvendo primeiramente a percepção do problema, a teorização do mesmo, o estímulo à inspiração sobre os possíveis caminhos, e, por fim, converter a idéia mental em idéia prática na busca da solução do problema proposto.

Dois elementos complementares contribuem para quebrar barreiras intelectuais. O estímulo à boa prática da expressão escrita, bem como da expressão oral, as quais compõem elementos determinantes no sucesso de qualquer profissional na realidade atual. Segundo, agrega-se a isso a capacidade de desenvolver-se e produzir em equipe, aspecto vital nas ações contemporâneas do mundo do trabalho. São elementos conectados, sendo que o trabalho em equipe é mecanismo fortemente estimulador da capacidade de comunicação, por sua vez as habilitadas de comunicação favorecem sobremaneira o trabalho em equipe.

Quanto ao bloqueio de percepção, um fator adicional que pode acarretar prejuízo é o excesso de informações, ou, especificamente, às vezes, de aulas expositivas, que, ao invés de clarear a respeito do que deve ser feito, acaba tendo um efeito contrário, gerando aquilo que Adams denominou “limites imaginários”.

Às vezes, os estudantes não conseguem avançar devido à ilusão da impossibilidade ou mesmo duvidam da capacidade própria de criar. Muito importante que o professor perceba, mais do que ninguém, que quando as pessoas sabem que suas ações serão valorizadas, parecem tender a criar mais. Quando sentem que não estão sob ameaça (de ser reprovados injustamente ou de cair no ridículo, por exemplo), os estudantes perdem o medo de inovar e revelam melhor suas habilidades criativas.

Criatividade é o elemento mais importante dos processos educacionais do futuro e do presente. O fato de seu conceito ser complexo não pode e não deve minimizar sua relevância, devendo estar permanentemente associado, como fator principal, inerente em todas estratégias educacionais compatíveis com a realidade do mundo atual.

[1] ADAMS, J.L. Conceptual Blockbusting: A guide to better ideas. Perseus Books: Massachusetts. 1986.